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Em entrevista à revista O Brasil Feito À Mão, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, destacou a importância do artesanato no processo de crescimento do setor turístico no Brasil. A realização de feiras e eventos - como forma de incrementar o turismo de negócios - e as metas do ministério para os próximos anos foram alguns dos temas abordados durante a entrevista.
* O artesanato é um produto que representa bem a tradição do país e carrega uma forte carga cultural e histórica. Essas características fazem do artesanato um importante fator de estímulo ao turismo no Brasil?
Ministra : O Ministério do Turismo tem um olhar especial para o nosso artesanato, que é um dos mais ricos do mundo. É impressionante o que artesãs e artesãos criam com aquilo que a natureza lhes oferece. Mãos brasileiras produzem arte que é admirada mundialmente! São milhares de brasileiros que fazem dessa arte a expressão de sua cultura, do jeito de viver e de ser de um povo. Com uma peça artesanal, o turista leva consigo uma parte de suas emoções durante a viagem.
O artesanato, sem dúvida alguma, soma valor ao turismo como expressão da identidade de um destino. No MTur, o artesanato é trabalhado como produto associado ao turismo e recebe investimentos dentro desse programa. Fazemos parcerias para atuar diretamente com os artesãos, na sua organização, na sua qualificação como empreendedores, ou então para apoiar a exposição e comercialização das peças produzidas pelas mãos desses nossos artistas.
O artesanato está presente em peças promocionais do Brasil, nacional e internacionalmente. É uma arte que, embora individual, gera renda e promove a inclusão de muitas comunidades.
* Entre as ações estratégicas desenvolvidas pelo Ministério do Turismo, existe o Programa de Regionalização do Turismo - Roteiros do Brasil. Quais os principais objetivos desse programa ?
Ministra: Este é o programa que construiu o novo mapa turístico do Brasil, que implantou a gestão descentralizada do turismo , que mantém diálogo permanente com aqueles que fazem o turismo nos estados e municípios. No Plano Nacional de Turismo 2007-2010, ele surge como um macroprograma e sua principal proposta é estruturar, ordenar e diversificar a oferta turística no Brasil.
Foi o programa que, junto com os representantes de cada estado e do Distrito Federal, definiu os 65 destinos que terão prioridade para receber investimentos financeiros e técnicos para que, até 2010, alcancem o padrão de qualidade internacional exigido pelo mercado. Com este programa, o turismo vai cumprir um de seus principais papéis que é o de fortalecer as regiões, envolvendo diretamente cada unidade da Federação, de forma articulada e democrática. É muito gratificante ver que esta proposta foi entendida e aceita por todos.
Hoje sabemos que o Brasil tem 200 regiões turísticas identificadas pelos estados. O Programa de Regionalização constitui uma força imensa no país, com os fóruns, os conselhos, os comitês e as associações. São 35 mil pessoas envolvidas numa rede em defesa do turismo. Foi com elas que chegamos à etapa atual do programa, onde a pergunta que se fazia era: dentro dos 87 roteiros, quais destinos têm força para induzirem o desenvolvimento do turismo regional? Chegamos aos 65 que possuem infra-estrutura e atrativos turísticos qualificados e que são capazes de atrair turistas e, ao mesmo tempo, levar o turista para outros locais da região. Todas as boas práticas, as experiências exitosas desses destinos, poderão ser replicadas, respeitando-se as características locais, para nosso imenso Brasil.
* De que forma a produção artesanal é contemplada no Programa de Regionalização do Turismo?
Ministra: Como Produção Associada ao Turismo, que agrega valor aos destinos. O que significa que recebe os estímulos necessários para o seu desenvolvimento e para gerar trabalho e renda. Desde 2003, quando foi criado o Ministério do Turismo e o país teve o seu primeiro plano para o setor, estava definida a identificação dos produtos associados ao turismo, como forma de ampliar e diversificar a nossa oferta. Os investimentos na produção associada, na qual se inclui o artesanato, somaram, até agora, quase R$ 28 milhões em todo o país. Minas Gerais, por exemplo, foi contemplado com mais de 20% desse valor.
O Instituto Estrada Real tem obtido grandes avanços na interiorização do turismo em Minas Gerais. Parte do sucesso do projeto se dá pela parceria público-privada, resgatando a história e cultura do país e estimulando a participação das comunidades na organização da estrutura turística. O Ministério do Turismo investe em parcerias público-privadas para desenvolver projetos turísticos no Brasil?
Ministra: Não no formato legal e estrutural de PPP. Mas o Ministério do Turismo desenvolve seus projetos e ações sempre em parceria. Ou com os governos estaduais, ou com segmentos empresariais. Na verdade, o turismo se desenvolve apoiado em três pernas: governo federal, por meio do MTur; governos locais (estaduais e municipais); e terceiro setor (entidades representativas de segmentos turísticos). O Estrada Real é um exemplo de parceria bem-sucedida.
* Em contraposição à vocação natural para as viagens de lazer, o turismo de negócios no Brasil é um segmento que possui grande potencial de crescimento. Evento s como a Feira Nacional de Artesanato, realizada há 18 anos em Belo Horizonte , movimentam a economia local gerando trabalho e renda para os profissionais do comércio, hotelaria, restaurantes, entre outros setores. Estimular a realização de feiras e eventos é uma forma eficaz para estimular o turismo de negócios no país?
Ministra: Com certeza. A Embratur tem, inclusive, uma diretoria para atrair eventos internacionais para o Brasil. Saímos do 21º para o 7º lugar no ranking dos países que mais recebem eventos no mundo, de acordo com a ICCA (International Congress and Convention Association), num espaço de quatro anos apenas . E só neste ano, até setembro, o MTur já havia destinado quase R$ 42 milhões para eventos realizados em todas as nossas regiões.
Na Feira Nacional de Artesanato, por exemplo, o MTur estará presente com uma série de ações, promovendo e apoiando a participação direta e indireta de mais de 500 artesãos de todo o Brasil. E temos de fazer isso mesmo. Sabe por quê? Porque esta é uma feira que gera negócios, que atrai não apenas compradores, mas o turista que gosta de artesanato. A feira movimenta o turismo de Belo Horizonte, mas gera renda para os expositores que vêm de outros cantos brasileiros. A própria feira, antes e durante a sua realização, também gera empregos.
Com certeza, a Feira Nacional de Artesanato traz grande contribuição para que cheguemos a, pelo menos, três metas do Plano Nacional de Turismo a serem alcançadas em 2010: criar 1,7 milhão de empregos e ocupações; promover 217 milhões de viagens internas; e gerar US$ 7,7 bilhões em divisas.
* Quais ações o governo brasileiro realiza no exterior para dar mais visibilidade e, ao mesmo tempo, melhorar a percepção dos turistas estrangeiros em relação ao Brasil?
Ministra: Antes quero dizer que meu antecessor, o ministro Walfrido Mares Guia, fez um trabalho magistral nos quatro primeiros anos do Ministério do Turismo. E um dos excelentes resultados de sua gestão é exatamente a imagem que o nosso país tem hoje no mercado internacional do turismo. Com planejamento, conhecimento de mercado e estratégias estabelecidas e desenvolvidas pela Embratur, o Ministério do Turismo inaugurou um novo status de confiança no exterior. Por isso mesmo, chegamos aos resultados registrados de 2003 a 2006 em geração de divisas - saltamos de US$ 2,4 bilhões para US$ 4,3 bilhões. E apesar da crise da Varig no ano passado, que implicou a redução de assentos em vôos internacionais, o número de turistas estrangeiros, que era de 3,7 milhões em 2002, chegou a mais de cinco milhões em 2006. O trabalho de promoção no mercado externo continua e a Embratur já começou a executar a segunda fase do Plano Aquarela de Marketing Internacional do Turismo, com foco em alguns mercados. Hoje, o turismo já é o quinto principal ponto da pauta de exportações do Brasil e acredito que podemos melhorar consideravelmente o peso do turismo não só na pauta de exportações, como no PIB brasileiro.
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