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A Revista Brasil Feito à Mão entrevista Rogério Bellini, responsável pelos projetos de promoção comercial do artesanato brasileiro, na APEX, Agência de Promoção de Exportações. Bellini destaca a importância de tratar o artesão como um empresário e lembra: o "assistencialismo" é uma visão ultrapassada. O resultado? Com a visão empresarial, os artesãos mineiros conquistaram as cifras de US$ 672 mil de produtos artesanais comercializados, apenas no ano passado. A seguir, o leitor vai conhecer os "novos mercados" a serem explorados, além do interesse do potencial comprador pelos produtos brasileiros, com destaque para o artesanato das montanhas. As características da matéria-prima, a funcionalidade e o design são fatores de atratividade dos produtos mineiros.
BFM_A proposta inicial do projeto da APEX foi a de fixar o conceito de que o artesanato no Brasil é sério, é arte de qualidade e com valor agregado?
R.B. _Usualmente , o artesão é apoiado em suas atividades, dentro de uma visão social. Já a APEX o trata como um empresário. Neste sentido, a importância na entrega de produtos, com qualidade, preço e design diferenciado passa a ser condição para acesso ao mercado externo. Importante ressaltar que o número de artesãos que direcionam parte de seus produtos, ou linha de produção para a exportação, vem aumentando ao longo dos anos. O produto mineiro vem sendo reconhecido em vários aspectos. A arte mineira e a sua criatividade estiveram presentes em um dos eventos mais importantes promovidos pela APEX, na Alemanha, We do different , onde marca e conceito foram explorados.
BFM_ Qual a avaliação da APEX em relação ao Projeto Mãos de Minas? O projeto se mantém em 2007? Até quando?
R.B. _A parceria para inserção do artesanato mineiro começou em 2000. O projeto foi evoluindo, não só em sua concepção, como na estratégia da entrada nos mercados-alvo. Normalmente, os projetos são negociados, ano a ano e os resultados são decisivos na continuidade.
BFM_ Quais são os próximos objetivos e metas a serem alcançados neste projeto a ser desenvolvido a partir de 2007?
R.B. _Dentre os objetivos, destacamos o de ampliar as exportações para US$ 864 mil, o que representa mais 20% em relação ao ano anterior, além de me tas de ampliação de emprego e o nú mero de artesãos que exportam de forma independente, também com o mesmo percentual.
BFM_ Mudou o foco do assistencialismo para a visão empresarial?
R.B. _Certamente! Para os artesãos que se engajaram no projeto de exportação ou que farão isso no futuro, o "assistencialismo" é uma visão ultrapassada. O mercado global não permite este tipo visão. A atitude empreendedora é condição necessária para permanência no mundo dos negócios.
BFM_O trabalho de apresentação do artesanato ao mercado internacional também aumenta a auto-estima do artesão.
R.B. _ A visibilidade do produto é a melhor forma de reconhecimento. A participação em eventos internacionais tem vários aspectos favoráveis. É uma oportunidade de conhecer a tendência, preços praticados e concorrentes. Este conjunto de informações é muitas vezes favorável ao nosso produto, o que estimula e favorece as iniciativas futuras de criação e produção .
BFM_ Qual a percepção do mercado internacional em relação ao valor da arte produzida pelos artesãos brasileiros?
R.B. _Isto depende de qual tipo de consumidor você se refere. O europeu é mais sensível e valoriza mais facilmente. O americano é extremamente diverso, mas, certamente, a grande maioria busca preço. A estratégia de entrada nestes mercados varia dentro desta ótica. Se o mercado americano é seu foco principal, atuar junto a designers , arquitetos e galerias de arte é um caminho a ser explorado, para assegurar a valorização e remuneração adequada do seu produto. No caso europeu, o valor percebido é mais favorável aos produtos brasileiros, em função dos traços culturais.
BFM_ Exportar é possível, mas exige um caminho a ser trilhado. Qual a dica para o artesão produzir com foco no mercado internacional?
R.B. _Inicialmente, a informação mais valiosa vem do mercado, como compra, condições de pagamento, barreiras de entrada praticadas no processo de aquisição de produtos, certificações, etc. Ou seja, é um conjunto relativamente extenso que deve ser observado para alcançar o consumidor final. Enfim, isto tudo só fará sentido se a decisão de promover o seu produto no exterior já foi tomada. Acredito que as mudanças praticadas pelos artesãos para a melhoria de processos produtivos, tecnológicos e de gestão são praticados, em função de sua decisão anterior, ou seja, exportar e permanecer no mercado internacional.
BFM_ Para um artesão participar de uma feira internacional, por quais caminhos ele deve seguir antes de buscar o mercado internacional?
R.B. _Ele deve informar-se sobre os projetos de exportação apoiados pela APEX, em vários estados, que podem e devem ser pesquisados, por meio dos parceiros, como o Mãos de Minas ou através do site www.apexbrasil.com.br. Nestes projetos estão previstas ações de capacitação, melhoria de produtos, design e promoção comercial. Estas ações são realizadas junto a grupos de artesãos, comunidades ou regiões produtoras. Engajar-se nos programas em curso é mais fácil, em função das informações e conhecimento já obtidos, o que pode representar um salto inicial nas pretensões de exportar. A feira internacional é uma das várias ações de promoção realizada e deve ser vista como uma das etapas de promover o seu produto no exterior. Ações complementares como vinda de compradores internacionais de redes de varejo, showrooms temporários, mostras e missões comerciais não devem ser esquecidas, porque de fato complementam as iniciativas de exportação.
BFM_ Existem novos mercados despertando para o artesanato brasileiro?
R.B. _Tenho percebido que o mercado árabe deve ser um dos "novos mercados" a serem explorados. O produto artesanal já esteve presente, como decoração, em feira de móveis e foi bem recebido. Estaremos avaliando a presença do artesanato brasileiro na próxima edição da Index - Dubai, que acontecerá em novembro.
BFM_ A arte mineira tem alguma característica especial que atrai o interesse do importador?
R.B. _A riqueza do artesanato mineiro é reflexo de traços culturais fortes. A pedra-sabão, fibras e cerâmica têm constituído a maioria da tipologia dos produtos exportados. As características da matéria-prima, funcionalidade e design são fatores de atratividade dos produtos mineiros.
BFM_ Já podemos dimensionar o peso econômico ou institucional da arte do artesanato brasileiro na balança comercial?
R.B. _Infelizmente, o processo de registro do artesanato nas exportações não permite ainda inferir o peso econômico. No entanto, o que podemos registrar é que o gosto pelo produto brasileiro vem se ampliando no mercado externo. O exemplo do projeto Mãos de Minas é um deles. Basta lembrar que no seu início, em 2000, as exportações eram US$ 10 mil e basicamente oriunda de turistas que visitavam o estado. No ano de 2006, estes valores alcançaram a cifra de US$ 672 mil.
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