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Mapeamento do Artesanato Mineiro

O presente trabalho realizado pelo Instituto Centro de Capacitação e Apoio ao Empreendedor - ICCAPE, em parceria com a Central Mãos de Minas e com o apoio da Associação Mineira de Municípios - AMM que auxiliou na distribuição dos questionários às 842 Prefeituras Municipais de Minas Gerais, objetiva apresentar uma visão sistematizada das ocorrências artesanais, através do espaço mineiro. Não se constitui primeira iniciativa, no gênero, efetivada em Minas Gerais ("Mapeamento do Artesanato Mineiro", Fundação João Pinheiro/SETAS-MG, 1979). Mas inova , e muito, quando acrescenta, como objetivo , o tratamento estatístico, em base de dados informatizados, e uma gestão estratégica dos dados coletados, visando um efetivo apoio e fomento ao setor artesanal. Essa gestão estratégica é possível, através das respostas às questões propostas na enquete, que subsidiarão ações e políticas públicas integradas de forma a garantir a sustentabilidade do projeto e, como conseqüência, do setor artesanal mineiro.

A gestão dos dados coletados, possibilitará respostas eficazes às questões, num primeiro momento, com relação às cidades: a localização em relação à capital do estado; dados socioeconômicos; informações culturais e turísticas, como um calendário de festas por município, uma relação de hotéis e outras formas de hospedagem; relação das instituições de apoio e serviços existentes no município; % de cidades com atividade artesanal; número de artesãos atuantes no município; % de faturamento em relação ao PIB municipal; quantidade de Associações existentes; % de participação em Feiras e/ou outras formas de inserção no mercado; quantidades e tipos de matérias-primas; tipos de produtos; formas de busca da matéria-prima utilizada (se na própria natureza, se através de resíduos industriais ou domésticos), quais as maiores dificuldades/facilidades, e, o mais importante, formas de apoio da Prefeitura para um programa de fortalecimento do segmento artesanal. Num outro momento, o de detalhamento dos dados coletados, serão focadas as associações ou cooperativas existentes os artesãos cadastrados (vinculados ou não a uma associação) e os produtos, através de fichas com enquetes por Associação, por Artesão e por Produto, fechando, daí todo o ciclo produtivo artesanal.

Como os dados estarão disponibilizados de forma informatizada, não se descarta, também, o acesso a eles através da Internet e a gestão, desses mesmos dados, à distância. Isso, num tempo em que a sociedade e o mercado globalizados e seus subprodutos, representados principalmente pela miséria e pela exclusão visíveis, pedem respostas conseqüentes e eficazes, através de ações e políticas de empregabilidade que invistam em capital humano, natural e social e despertem, nas regiões, possibilidades globais. Para isso, no nosso entendimento, e como primeiro passo, o respeito ao Artesanato e ao Artesão é um fator mais do que importante. Eles merecem! E esse projeto, Mapeamento do Artesanato Mineiro , é mais que um passo. É um grande passo.

SOBRE A PESQUISA

A partir de Janeiro de 2002 ano, foi distribuída a todas as 842 Prefeituras Municipais do Estado de Minas Gerais, via Associação Mineira de Municípios, carta com questionário "Ficha de Pesquisa - Mapeamento do Artesanato Mineiro", conforme modelo anexo, a ser respondida pelo setor competente e devolvida ao Instituto Centro de Capacitação e Apoio ao Empreendedor - ICCAPE . Ressalte-se que, apesar das respostas terem sido dadas por autoridades constituídas no âmbito municipal, muitos dados vieram viciados ou falhos, por questões de política partidária local, desinformação e, até mesmo, desinteresse para com o assunto, conforme veremos à frente. Mas isso em nada interfere com a qualidade do conteúdo, até por que tais ingerências eram previstas no método e haverá um espaço à frente para que tais "imprecisões" sejam aclaradas.

Até o final de Junho, um total de 264 municípios, 31%, haviam dado um retorno constituindo, assim, pela diversidade apresentada e alta representatividade geográfica, um universo bastante significativo para fins de análise e sólido argumento para novos passos. Esses dados, doravante serão chamados de "dados preliminares", para fins de análise.

As informações geradas por 261 desses 264 municípios receberam um tratamento de digitação para compor um banco de dados, em base ACCESS, que se mostrou insuficiente para atender às pretensões do projeto e pouco eficaz em termos de gestão dos dados. Em fins de Junho, optou-se por uma outra solução. Foi contratada uma empresa especializada e confeccionado um software específico para o caso, ora em andamento, mas com extremo sucesso.

A análise que, em seguida, apresentamos, mais que uma mera apresentação ou uma seqüência de números, deu-se em um processo e em um ambiente extremamente "artesanal", na medida em que foi lida ficha por ficha e anotados os dados interessantes que pudessem fundamentar um raciocínio, no futuro. Relação das 264 cidades que compoem os nossos dados preliminares:

Abaeté

Acaiaca

Águas Vermelhas

Além Paraíba

Alfredo Vasconcelos

Alto Jequitibá

Andradas

Antônio Carlos

Araponga

Araxá

Arcos

Baependí

Barbacena

Barra Longa

Barroso

Belmiro Braga

Belo Oriente

Berilo

Bias Fortes

Bicas

Bocaiúva

Bonito de Minas

Botumirim

Braúnas

Bueno Brandão

Cachoeira de Pajeú

Caeté

Cambuquira

Campanha

Campina Verde

Campos Altos

Campos Gerais

CAPEla Nova

CAPEtinga

Capitólio

Caraí

Carandaí

Carangola

Careaçú

Carlos Chagas

Carmo do Cajurú

Carmo do Paranaíba

Carmo do Rio Claro

Carrancas

Cataguases

Catas Altas

Catas Altas da Noruega

Catutí

Caxambu

Cipotânea

Coimbra

Conceição das Pedras

Conceição do Mato Dentro

Cônego Marinho

Confins

Congonhal

Congonhas do Norte

Conquista

Conselheiro Lafaiete

Coqueiral

Cordisburgo

Coroací

Coromandel

Coronel Murta

Curvelo

Delta

Diamantina

Divino

Divinópolis

Dom Bosco

Dom Silvério

Dores de Campos

Dores do Indaiá

Dores do Turvo

Durandé

Entre Rios de Minas

Espinosa

Estrela Dalva

Estrela do Indaiá

Estrela do Sul

Eugenópolis

Extrema

Felício dos Santos

Felisburgo

Felixlândia

Formiga

Fortaleza de Minas

Francisco Badaró

Francisco Dumont

Frei Inocêncio

Funilândia

Goianá

Governador Valadares

Grão Mogol

Guanhães

Guaraciaba

Guiracema

Ibiá

Ibiaí

Ibiracatu

Ijaci

Indianópolis

Inhaúma

Ipatinga

Itabancurí

Itabira

Itabirinha de Mantena

Itabirito

Itacarambí

Itaguara

Itajubá

Itamarandiba

Itambacurí

Itanhandú

Itanhomí

Itaobim

Itapecerica

Itaúna

Itinga

Itumirim

Jaboticatubas

Jacuí

Janaúba

Japonvar

Jeceaba

Jequitaí

Jesuânia

Joaíma

João Monlevade

Joaquim Felício

José Gonçalves de Minas

Juíz de Fora

Lagoa da Prata

Lagoa Grande

Lambarí

Lamin

Lassance

Lavras

Leandro Ferreira

Leopoldina

Lima Duarte

Luisburgo

Luislândia

Luz

Maria da Fé

Marilac

Materlândia

Mercês

Minas Novas

Mindurí

Miravânia

Montalvânia

Monte Alegre de Minas

Monte Carmelo

Monte Santo de Minas

Montes Claros

Morada Nova de Minas

Munhoz

Muriaé

Muzambinho

Nanuque

Natalândia

Nova Era

Nova Lima

Nova Porteirinha

Novo Cruzeiro

Olhos Dágua

Oliveira

Ouro Branco

Ouro Fino

Pará de Minas

Paraguaçu

Paraopeba

Passa Tempo

Passos

Patrocínio

Paulistas

Pavão

Pedras de Maria da Cruz

Pedrinópolis

Pedro Leopoldo

Pequerí

Perdizes

Periquito

Piau

Piedade das Gerais

Pintópolis

Pirapora

Piraúba

Pitanguí

Piumhi

Poços de Caldas

Porto Firme

Poté

Pouso Alegre

Prados

Prudente de Morais

Resende Costa

Resplendor

Rio Espera

Rio Manso

Rio Pardo de Minas

Rubim

Sabará

Sabinópolis

Salinas

Santa Bárbara de Monte Verde

Santa Bárbara do Leste

Santa Efigênia de Minas

Santa Fé de Minas

Santa Luzia

Santa Maria de Itabira

Santa Vitória

Santana de Cataguases

Santana do Garambéu

Santana dos Montes

Santo Antônio do Amparo

Santo Antônio do Aventureiro

Santos Dumont

São Bento do Abade

São Brás do Suaçuí

São Domingos do Prata

São Félix de Minas

São Francisco

São Gonçalo do Rio Preto

São Gotardo

São João da Ponte

São João do Manhuaçu

São Joaquim de Bicas

São Lourenço

São Pedro dos Ferros

São Roque de Minas

São Sebastião do Paraíso

São Tomé das Letras

São Vicente de Minas

Sapucaí Mirim

Senador Modestino Gonçalves

Senhora do Porto

Senhora dos Remédios

Serra da Saudade

Serro

Sete Lagoas

Simão Pereira

Simonésia

Soledade de Minas

Tabuleiro

Tarumirim

Teófilo Otoni

Tocantins

Tombos

Três Corações

Tupaciguara

Turmalina

Ubaporanga

Uberaba

Umburatiba

Uruana de Minas

Varjão de Minas

Várzea da Palma

Vazante

Veredinha

Viçosa

Virgem da Lapa

Visconde do Rio Branco

SOBRE A ANÁLISE DOS DADOS PRELIMINARES

Sobre os dados iniciais referentes aos municípios, pode-se afirmar que todos os 264 apresentaram informações completas alguns até remetendo folhetos e folders ilustrativos.

É Interessante ressaltar, quanto aos dados culturais, e a origem do município, a importância da participação do movimento dos Tropeiros na fundação de cidades, coisa que os atuais habitantes infelizmente desconhecem. A história de tantas localidades do interior mineiro, e brasileiro, certamente, foi marcada pela calma, pelo ritmo do tempo natural e do contato com o mundo, apenas através dos que por ali passavam e quando passavam. Desse processo, cresceu um povo ligado à terra, religioso e trabalhador, que formou uma pequena comunidade bem próxima da auto-suficiência, da autonomia. Ainda hoje, entre os mais velhos, principalmente, encontra-se com facilidade mão-de-obra especializada em técnicas tradicionais dos mais variados ofícios: tecelãs, tapeceiras e bordadeiras, arreateiros, marceneiros, carpinteiros, ferreiros, escultores da pedra e da madeira, santeiros, doceiras, ourives, raizeiros, benzedeiras, pedreiros conhecedores de técnicas construtivas com adobe, moledo, taipa de pilão e pedra. Artesãos do mais alto quilate, dificilmente encontráveis. Raridades.

O contato com o mundo exterior, naquela época e ainda hoje, em algumas localidades, se dava através da relação com viajantes que por ali passavam e, principalmente, com os tropeiros. E esses tropeiros traziam e levavam, no lombo de burros, além das cargas e mercadorias, algumas informações, novidades de boca a boca, um ou outro livro, jornais e cartas. As novidades de então. Bons tempos. Tempos de ouro farto nas Minas Gerais. Que da intensa movimentação dos homens, subindo e descendo morros, voltados só para as tarefas da mineração, se excluía inevitavelmente o trabalho agrícola. Havia riqueza, mas faltava comida. Daí a importância do tropeiro que passou a circular com intensidade nessas regiões auríferas com as bruacas abarrotadas de comida, contribuindo, assim, para dar maior mobilidade ao ouro. E, principalmente, através de suas outras cargas de informações, hábitos, costumes e saudades marcaram profundamente a vida cultural do país, ajudando a forjar uma Cultura Brasileira. Como exemplo desse processo, basta-nos experimentar e nos deliciarmos com um típico prato, dentre outros, da culinária mineira: o Feijão Tropeiro que, feito numa única panela num tripé sobre o fogo, junta-se à farinha de mandioca dos índios, com a carne de porco, ovos e a couve rasgada que as iáiás negras nos ensinaram a comer.

Era uma época em que a natureza participava do dia-a-dia muito mais que um relógio. O homem incorporava o ritmo das trilhas no meio do mato. Trilhas abertas pelos índios e que os tropeiros souberam respeitar. Como respeitavam as denominações indígenas para os acidentes geográficos, as plantas, os bichos. Hoje, muitas cidades não sabem que vieram de um pouso de tropas: de uma nascente bonita, de uma árvore frondosa, de uma quilometragem ideal. É uma profusão de nomes interessantes. Alguns de origem indígena, em função do respeito ao parceiro índio. Só para exemplificar: Abaté ( homem bom , no Tupi-Guarany); Acaiaca; Araxá; Botumirim; Carangola; Carrancas, Cataguases; Guanhães ( aquele que corre, o corredor );Guiricema ( guiri = bagre, cema = quantidade); Itanhadu ( pedra da ema ); Piumhi; Tupaciguara (tupã - ci - guara = a morada da mãe de deus ); Itaguara; Tarumin ( céu pequeno ); Ijaci ( rio da lua ); Pitangui ( rio das crianças ); Jeceaba ( entre montanhas ); Itabira ( pedra que brilha ), e por aí vai. Existem também os nomes, que homenageiam santos associando-os a fatos ou a acidentes geográficos. Por exemplo: Santo Antônio do Aventureiro; Santa Bárbara do Monte Verde; Santa Bárbara do Leste; Santana de Cataguases; Santa Maria de Itabira; Santana dos Montes; Santo Antônio do Amparo; São Brás do Suaçuí; São Domingos do Prata; São Gonçalo do Rio Preto; São João da Ponte; São João do Manhuaçu; São Joaquim de Bicas; São Pedro dos Ferros; São Sebastião do Paraíso; São Tomé das Letras; Senhora do Porto; Senhora dos Remédios; Conceição do Mato Dentro; Conceição das Pedras; Carmo do Cajuru; Carmo do Rio Claro; Carmo do Paranaíba. Ou nomes que homenageiam um pouso, um fato ou uma quilometragem ideal: Águas Vermelhas; Além Paraíba; Barra Longa; Bonito de Minas; Bicas; Campina Verde; Campos Altos; Campos Gerais; CAPEla Nova; Catas Altas; Entre Rios de Minas; Estrela Dalva; Estrela do Sul; Formiga; Lagoa Grande; Lagoa da Prata; Luz; Montes Claros; Monte Santo de Minas; Olhos D'água; Passa Tempo; Paulistas; Pavão; Perdizes; Periquito; Porto Firme; Pouso Alegre; Rio Manso; Sete Lagoas, e por aí vai. Esses nomes, certamente, dão assunto para muitas prosas sobre a influência das tropas e dos tropeiros como vetor cultural.

Sobre o calendário de festas municipais as 264 cidades apresentaram um total de 770 datas, numa média de pelo menos três datas festivas, por ano, em cada município.

Apresentaram também a relação de 547 hotéis, pensões e pousadas, numa média de, pelo menos, duas formas de hospedagem, por município. Os revelam uma certa baixa infra-estrutura de hospedagem.

Relacionaram também 758 "maiores" contribuintes nos municípios. Informação, esta, de forte conteúdo estratégico para a sustentabilidade do setor artesanal, quando se propuser meios de renúncia fiscal para aquelas empresas que "adotarem" associações de artesão.

Foram relacionadas 984 instituições de apoio (clubes de serviço, associações, cooperativas e instituições de classe), no âmbito municipal. Uma média de quase quatro instituição por município, o que demonstra um grau ainda incipiente de desenvolvimento e envolvimento comunitário.

Quanto aos dados específicos do setor artesanal no município , a primeira questão - Existe atividade artesanal no município? ( ) Sim ( ) Não -, é de fundamental importância, pois evidencia o nível de interesse para com o artesanato. Dos 264 municípios, 18 municípios responderam que NÃO existe atividade artesanal no município. Ou por desinformação, ou questões de política partidária local (situação muito comum) ou por desinteresse. São as seguintes cidades: Belo Oriente; Braúnas; Coimbra; Conceição das Pedras; Confins; Delta; Eugenópolis; Ibiaí; Lamin; Luislândia; Pedras de Maria da Cruz; Periquito; Rio Espera; Santa Efigênia de Minas; São Bento do Abade; Sapucaí Mirim; Senhora do Porto; Umburatiba. Por outro lado, das restantes 246 cidades, muitas delas responderam à frente um número muito baixo de artesãos envolvidos em atividades artesanais no município mesmo se tratando de um dado aproximado (algumas deram 4, outras 7 e outras apenas 3 artesãos).

Foram relacionadas 158 associações/cooperativas de artesãos, evidenciando a desorganização existente no setor.

Quanto à forma de escoamento da produção ou a forma de inserção daquele artesão no mercado, a grande maioria das cidades coloca que o escoamento é feito no município ou fora do município, mas através de atravessadores. A grande maioria não participa de Feiras.

E, o mais importante, em sua maioria, ou quase a totalidade do universo pesquisado, não legaliza suas vendas.

O transporte é função do próprio artesão ou do comprador, sendo incipiente a participação do poder público nessa função.

Os 264 municípios relacionaram um total de 1104 produtos artesanais e, desses, 641 de forma generalizada. Os cinco mais citados em toda a pesquisa foram: crochet, com 90 citações; escultura, com 70 citações; pinturas em geral, com 65 citações; tapetes, com 64 citações; e cestos(as) em geral, com 63 citações.

Como conseqüência, em termos de matéria-prima, 893 tipos foram apontados pelos diversos municípios, em um universo de 307 matérias-primas disponíveis. As cinco mais citadas em toda a pesquisa foram: madeira, com 105 citações; linha, com 97 citações; tinta, com 56 citações; bambu, com 48, citações; e, lugar as frutas, com 37 citações. Esse fato deixa em evidência que a matéria-prima industrializada, seja ela resíduo ou não, é a preferida, conforme os dados levantados.

Foram levantados também 940 pontos positivos do artesanato local. Os cinco mais citados foram, por ordem: a possibilidade de geração de renda, com 111 citações; a qualidade dos produtos, com 94 citações; a geração de emprego, com 65 citações; a matéria-prima no local, com 51 citações; e, a divulgação do município, com 47 citações.

Por outro lado, foram levantados também 807 pontos negativos do artesanato local. Os cinco mais citados foram por ordem: a falta de incentivo, com 81 citações; a falta de financiamento, com 75 citações; a falta de capacitação, com 73 citações; a falta de apoio, com 66 citações; e, a desorganização do setor, com 59 citações.

Dos dados acima, podemos ressaltar o otimismo por parte do setor público (que na realidade respondeu as questões) para com o artesanato local, 940 pontos positivos contra 807 pontos negativos. Os pontos negativos levantados evidenciam a necessidade de um Programa de Fortalecimento do Setor Artesanal.

Em linhas gerais esses foram os dados que sobressaíram no levantamento feito. É importante aguardar a finalização do software específico, para um tratamento estatístico mais, digamos assim, científico. Certamente, eles não estarão muito diferentes do levantado e analisado agora, mas auxiliarão certamente em novas análises e sugestões muito em função da eficácia promovida pela informática. Não nos esqueçamos que, como tratamos de Artesanato e de Artesãos, por melhor que seja a máquina, nada substitui o homem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS / SUGESTÕES

Certamente esses números que dizem respeito a uma enquete feita por carta e respondida por um funcionário responsável (ou não) pelo tema artesanal, ou seja com todos os seus erros e vícios, em 264 prefeituras, 31% do estado, diz respeito a, no mínimo, dois estados do Rio de Janeiro (que tem apenas 91 municípios), e a vários estados do nordeste. Um detalhe fundamental é que todas as prefeituras que enviaram respostas, sem exceção (mesmo aquelas que responderam "que não havia atividade artesanal no seu município"), se propõem a alguma forma de apoio (umas mais, outras menos) e isso quer dizer que o apoio e o fomento às atividades artesanais é pauta de uma política de empregabilidade séria para essas prefeituras consultadas. Esse é um dado extremamente significativo. Aqui em Minas, o artesanato já começa a ter o devido respeito (ao menos no papel).

Como sugestão propomos uma checagem, "in locu", de tais informações, por técnicos com a sensibilidade que o caso pede. Primeiro, para dar um retorno àquelas prefeituras que acreditam num Programa de Fortalecimento do Artesanato Mineiro e, em segundo lugar, aprofundar e acertar algumas questões que ficaram meio fora do contexto. Em seguida, poderia ser aplicado o Art'Estrurada em que o ICCAPE / Mãos de Minas têm experiência de sobra e possibilita o devido respeito ao Artesanato e ao Artesão.

Belo Horizonte (MG), 17 de Julho de 2001

Bezamat de Souza Neto

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